Palco Aberto | Manuela Rios em Outubro Rosa além do laço: estamos errando no básico
2 de outubro de 2025 - Palco Aberto
Outubro é o mês em que as cidades ficam cor-de-rosa. Empresas, escolas e instituições se mobilizam para lembrar a importância da prevenção do câncer de mama. Mas será que, estamos realmente olhando para o que mais importa?
O Câncer de mama, com exceção do câncer de pele não melanoma, é o tipo de câncer que mais afeta e mata mulheres no Brasil. São cerca de 70 mil casos por ano segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Continuamos focados apenas em exames e diagnósticos com discussões em torno da ampliação ou não da faixa etária para rastreio com mamografia. E apesar dos avanços tecnológicos para detecção precoce e tratamento, a realidade é que estamos falhando no básico do dia a dia.
Sim, estou falando das nossas escolhas diárias de hábitos de saúde. O básico bem feito, que a gente acaba deixando de lado porque somos atropelados pela correria da vida moderna. É claro que ninguém escolhe adoecer, mas na maioria das vezes adoecemos como consequência das nossas escolhas.
Fato é que nenhum avanço tecnológico irá substituir o que decidimos diariamente.
Meu objetivo não é fazer você se sentir culpada, muito pelo contrário, é mostrar que mesmo em meio a tantas demandas dá para ter hábitos melhores e que irão impactar diretamente na sua saúde.
Apesar do câncer de mama ser um dos tipos de câncer com maior influência genética, corresponde a apenas a 5-10% dos casos. Genética não é destino. O que muita gente não sabe é que 1 em cada 3 casos PODERIA SER EVITADO COM MUDANÇA DE ESTILO DE VIDA.
Movimento é remédio, não acessório
Apenas 40% da população adulta brasileira é fisicamente ativa no tempo livre, o sedentarismo está diretamente ligado ao câncer de mama.
Estudos confirmam que mulheres fisicamente ativas têm até 20% menos risco de desenvolver câncer de mama. E para quem já recebeu o diagnóstico, a prática de exercícios pode aumentar em até 40% a chance de sobrevida.
O exercício também ajuda durante o tratamento, reduzindo fadiga, melhorando o sono, fortalecendo o sistema imunológico, além de melhorar na saúde mental tornando o enfrentamento à doença menos doloroso.
O poder esquecido da alimentação
De um modo geral, alimentação predominantemente baseada em frutas, verduras, legumes, grãos e leguminosas é o ideal para todos nós, mas vale ressaltar que esse tipo de dieta pode reduzir em até 15% o risco de câncer de mama. Você não precisa ser vegano, apenas reduza ao máximo o consumo de carnes vermelhas, priorizando carnes magras.
E para quem já tem a doença, a alimentação segue sendo ferramenta:
- Alimentos como soja e seus derivados estão associados à menor recorrência e maior sobrevida.
- Dietas ricas em fibras (hortaliças, aveia, sementes) e fitoquímicos (chás, algumas frutas cítricas, vegetais) reduzem inflamações, ajudam na resposta ao tratamento e melhoram a qualidade de vida.
- EVITE: consumo frequente de carnes processadas, laticínios integrais e ultra processados, que aumentam riscos e pode comprometer resultados.
Alimentar-se bem não é luxo. É prevenção, tratamento e esperança.
Álcool: é comum, mas não é normal
Se existe um ponto que ainda minimizamos, é o álcool. A ciência é clara: não existe dose segura de álcool quando falamos em câncer.
Você sabia que a OMS classifica o álcool como carcinógeno ao lado do tabaco?
Apenas um drinque por dia já aumenta em 10% o risco de câncer de mama. Dois ou mais drinques por dia podem elevar o risco em até 32%.
Além de aumentar o risco, o consumo de álcool durante ou após o tratamento está associado a piora clínica e recidiva.
Sono: o guardião invisível da saúde
O sono tem impacto direto na regulação hormonal e na imunidade. É por isso que mulheres que dormem menos de 6 horas por noite por longos períodos podem ter risco aumentado de desenvolver câncer de mama.
A privação crônica do sono desregula a produção de melatonina, um hormônio com efeito protetor contra tumores hormônio-dependentes, como o câncer de mama. Além disso, piora a resposta inflamatória do corpo, comprometendo não só a prevenção, mas também a recuperação.
Durante o tratamento, o sono de qualidade ajuda na tolerância à quimioterapia, melhora a energia, reduz fadiga e fortalece a saúde emocional da paciente.
Saúde mental: corpo e mente não se separam
O câncer de um modo geral ainda é uma doença bastante estigmatizante, e quando se trata de câncer de mama também afeta a identidade, a autoestima e a vida emocional das mulheres. Estresse crônico, ansiedade e depressão estão associados a pior prognóstico e menor adesão ao tratamento.
Por outro lado, práticas de cuidado com a saúde mental como terapia, mindfulness, meditação e grupos de apoio, contribuem para reduzir níveis de cortisol, aumentar a resiliência emocional e melhorar a imunidade.
A ciência já entende que cuidar da mente é também cuidar do corpo. Mulheres que se sentem apoiadas e conseguem manejar melhor suas emoções enfrentam o câncer com mais qualidade de vida e, muitas vezes, com melhores resultados clínicos.
Com tudo isso, vale também lembrar que o câncer de mama também tem um alto de índice de cura. Então nunca é tarde para rever suas escolhas e melhorar seu estilo de vida, para prevenir, tratar e manter sua saúde em dia.
E o papel das empresas nisso tudo?
O câncer de mama é o tipo que mais atinge mulheres no Brasil. O impacto não é apenas individual: afeta famílias, carreiras, gera afastamentos e eleva custos para empresas e para o sistema de saúde.
Por isso, não basta vestir rosa em outubro. É preciso transformar esse mês em educação real sobre como escolhas simples como se movimentar, comer melhor, reduzir o álcool, cultivar apoio e espiritualidade, podem salvar vidas.
Empresas que abraçam esse compromisso não só cuidam da saúde de suas colaboradoras, mas também fortalecem sua cultura organizacional, criam pertencimento e demonstram responsabilidade social de verdade.
Na minha palestra de Outubro Rosa, meu objetivo é mostrar como pequenas mudanças no estilo de vida têm impacto gigantesco na prevenção e no tratamento do câncer de mama.
Se a sua empresa deseja transformar o Outubro Rosa em algo mais do que uma campanha, mas em um movimento de impacto verdadeiro, entre em contato. Vamos juntos mudar essa história.
Por: Manuela Rios é enfermeira há mais de 20 anos, especialista em Oncologia Clínica pelo INCA, pós- graduada em Medicina do Estilo de Vida pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e 1ª enfermeira do Brasil certificada em Medicina do Estilo de Vida pela IBLM e CBMEV.
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