Paulo Al Assal

Paulo é CEO e fundador da Evolv, uma agência de Purpose Driven Transformation e Diretor Geral da Saffron no Brasil, parceira estratégica da Evolv.   Antes de se juntar à Saffron, Paulo foi co-fundador e CEO da BR Culture, uma consultoria de estratégia de marcas e inovação, e também sócio fundador da Voltage, uma agência focada em tendências e pesquisa inovadora para negócios.   É graduado em Economia e Negócios pela Colorado State University, com um MBA pela New York University Stern, uma pós-graduação em Gestão de Inovação pelo Insper no Brasil e uma pós-graduação em Design Thinking e Inovação pela Stanford University.   Paulo é professor na FGV e no primeiro Disruptive MBA do Brasil, onde ensina Brand Driven Innovation. Foi palestrante do TEDx e em diversos eventos de inovação e branding. Ele é bem feliz quando está com suas duas filhas ou velejando de windsurf.

  • • O que são empresas evoluídas e por que são tão importantes na sociedade?

Sou estrategista de marca há 20 anos e posso afirmar que estamos vivendo um momento de transformação único e que sou muito feliz de poder testemunhá-lo de perto e vivê-lo intensamente. Tudo que sempre acreditei e defendi ao longo dessa trajetória profissional, finalmente está acontecendo.

Hoje muito se fala em transformação digital, em crescimento exponencial de tecnologia, em escalar resultado através dessa possibilidade que o digital criou, big data, robotização, inteligência artificial,     singularidade, e por aí vai. Mas será que antes de adotarmos essas novas tecnologias, não deveríamos fazer um reflexão se realmente estamos preparados para tudo isso? Será que não temos uma lição de casa para fazer para de fato podermos seguir nesse caminho? Será que não estamos indo longe demais na direção do digital? Essa é um pouco da reflexão que os convido para fazermos juntos nessa coluna.
Esse ano participei do SXSW, um dos maiores evento do mundo de tendências de comportamento, cultura, tecnologia, saúde, etc. Aliás, um evento muito intenso, com muita informação e obrigatório. Em linhas gerais, nos últimos anos os grandes temas se concentraram muito nessa linha das novas tecnologias, transformação digital, etc. E fui para lá esperando assistir muitas palestras sobre esses assuntos. Mas esse ano, para a minha surpresa e satisfação, o grande tema do evento foi a humanização das relações. Ou seja, um convite à reflexão profunda se na era da disrupção, do digital e da tecnologia, o próximo desafio não é o ser humano e nas suas relações.
No final, acabei assistindo a muitas palestras sobre o ser humano, seu papel nesse contexto tão desafiador e principalmente seu potencial como “team human”. E voltei inspirado e mais seguro que as minhas crenças estariam se concretizando.
Mais do que a era da disrupção, na minha opinião estamos vivendo a era dos paradoxos e das dicotomias. Estamos desesperados buscando a humanização nas nossas relações, porém indo a todo vapor em direção a transformação digital. Estamos recebendo estranhos em casa (AirBnB), mas nunca estivemos mais desconfiados de tudo e de todos. Estamos mais conectados do nunca, porém mais isolados e desconectados entre si do que nunca. Nunca tivemos acesso a tanta informação e ao mesmo tempo estamos mais confusos do que nunca. Estamos mais abertos a discutir temas polêmicos, mas nunca estivemos tão polarizados como sociedade. Estamos vivendo mais, mas no entanto mais doentes do que nunca, principalmente ansiedade e depressão. São mais de 18 milhões de pessoas com ansiedade e mais de 12 milhões com depressão.
Depois de anos de um mindset antigo voltado apenas ao lucro, finalmente estamos vendo um movimento importante das empresas e dos seus gestores em direção a outras métricas e resultados. Movimentos como os da B Corporations, do Capitalismo Consciente que mostram uma transformação de mindset. Um mindset que foca no propósito e papel que essas empresas exercem na sociedade e não apenas entre suas paredes. Que foca no ser humano, em uma liderança humana, criativa, adaptativa, consciente. É o que denominamos como a era do engajamento, de valores intelectuais, ambientais, éticos e culturais que as companhias têm de compreender.
São as empresas evolutivas que entenderam que para sobreviver nesse contexto disruptivo, precisavam antes de qualquer coisa, encontrar sua essência, sua razão de existir e como podem fazer um mundo melhor.
A partir desta consciência sistêmica, é preciso buscar mudanças estratégicas para se tornar uma empresa evolutiva. Não basta apenas descobrir a essência da organização, mas é necessário utilizá-la como uma bússola para realizar uma transformação que inclua a cultura, a liderança e a experiência de marca.
O objetivo da empresa evolutiva é transformar uma companhia egocêntrica voltada unicamente para o lucro e para os acionistas, em uma organização ecocêntrica, mais humana e adaptativa com foco nas pessoas. E para isto, no entanto, é necessário ter coragem para reinventar a forma de produzir, incorporar valores evolutivos e verdadeiramente vivê-los no dia a dia. Uma cultura humana, onde as pessoas estão em primeiro lugar.
E acreditem! Está mais do que provado que isso dá resultado financeiro! E melhor ainda…isto transforma a sociedade, o mundo. E para melhor. Esse é o nosso propósito aqui na Evolv!